Deputado Artagão Júnior critica a falta de reavaliação periódica dos contratos de pedágio no Paraná
O deputado Artagão Júnior, na reunião da CPI do Pedágio desta terça-feira (18), criticou o fato de os contratos de concessão não deixarem claros pontos de revisão ao longo dos anos. Não havia nos contratos iniciais uma cláusula que abordasse a necessidad

O deputado Artagão Júnior, na reunião da CPI do Pedágio
desta terça-feira (18), criticou o fato de os contratos de concessão não
deixarem claros pontos de revisão ao longo dos anos. Não havia nos contratos
iniciais uma cláusula que abordasse a necessidade de reavaliação nos moldes de
preservar o interesse público, disse o parlamentar.
O ex-secretário de Estado dos Transportes no governo Jaime
Lerner, Heinz Herwig, que estava depondo, concordou com o deputado e disse que na
época não havia a agência reguladora.
Herwig, que também foi deputado e ex-presidente do Tribunal de Contas do
Estado (TCE), falou das péssimas condições das estradas e afirmou que não havia
outra saída a não ser o pedágio. Os borracheiros eram os que mais ganhavam
dinheiro. Esses, sim, podem ter quebrado.
O ex-secretário também falou da redução unilateral em 50%
dos valores de pedágio em 1998. Queríamos inicialmente reduzir em 20% a tarifa
dos caminhões. Propusemos um aditivo, mas as concessionárias não aceitaram. Aí
eu falei para o governador que teríamos que fazer por nossa conta. Se não
aceitaram 20%, vamos baixar 50%, disse.
Após um ano e oito meses uma decisão judicial fez com que as
tarifas voltassem ao normal, causando alterações no cronograma de obras. Foram retirados
487 quilômetros dos 885 quilômetros de duplicações, terceiras faixas e
marginais previstas no contrato original.
O deputado Artagão Júnior voltou a defender a intervenção do
Estado na contagem de veículos, que hoje se baseia apenas em relatórios das
próprias concessionárias. Muito embora o número de veículos não influencie no
valor da tarifa, como prevê o contrato, deixando por conta e risco das
concessionárias, é necessário que o DER tenha a sua contagem para termos mais
transparência.
Outro participante da reunião foi o professor Raul Velloso,
economista com diversos estudos sobre infraestrutura. Velloso concordou com o
deputado Artagão Júnior sobre a necessidade de reavaliação periódica dos
contratos. É um dado concreto. Se muda algo que seja passível de reequilíbrio,
como análise de condições de mercado, a incorporação de tributos como o ISSQN (Imposto
Sobre Serviços do Qualquer Natureza), é preciso reavaliar o contrato. É assim
que se faz concessão no mundo, defendeu o economista.